A fase final do Campeonato Europeu de Futebol 2004 teve lugar em Portugal entre 12 de Junho e 4 de Julho de 2004. A prova correu sem grandes incidentes, num clima de euforia total, sendo considerado pela UEFA como o melhor e mais bem organizado Europeu de Futebol de sempre. Para organizar o terceiro maior evento desportivo do Mundo, Portugal construiu e renovou 10 estádios. Cerca de um milhão de turistas visitaram Portugal neste período, aos quais se juntam mais de 2000 voluntários e 10.000 jornalistas de todo o mundo. O UEFA Euro 2004 viu também serem introduzidas novas medidas de segurança a nível dos ingressos para os jogos, assim como uma nova forma de organização. Esta passaria a ser conjunta, entre a Federação de Futebol de cada país e a UEFA.
A qualificação disputou-se entre Setembro de 2002 e Novembro de 2003 no qual cinquenta equipas foram divididas em dez grupos e cada equipa jogou com o resto das equipas do grupo em duas ocasiões. As primeiras dez equipas classificaram-se directamente para o Euro 2004, enquanto os dez segundos efectuaram jogos de desempate, para determinar as outras cinco equipas. As dezasseis equipas, que participaram no campeonato foram as seguintes: Alemanha, Bulgária, República Checa, Croácia, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Países Baixos, Inglaterra, Itália, Letónia, Portugal, Rússia, Suécia, Suíça.
Antes do início UEFA EURO 2004™, todos discutiam qual seria a estrela que levaria a sua selecção à vitória no título europeu. No final, um grupo de jogadores pouco conhecidos conseguiu a vitória em Portugal, causando uma das maiores surpresas de sempre do futebol europeu.
Quando o campeonato começou, a Grécia estava longe de ser considerada uma das favoritas à vitória final. Mas também poucos tinham reparado numa fase de apuramento onde os gregos estiveram impressionantes. Depois de perder os dois primeiros jogos, a Grécia conseguiu seis vitórias consecutivas, sem sofrer qualquer golo. Num esplêndido mês de futebol que teve lugar sob o sol português, os gregos mostraram ser uma equipa sólida e pragmática, que soube tirar partido dos seus pontos fortes.
No final, acabaram por merecer o título. A equipa foi liderada por Otto Rehhagel, um veterano alemão com uma enorme experiência a nível de clubes, particularmente com o Werder Bremen e FC Bayern München. Este conseguiu criar um conjunto sólido, bastante disciplinado, que malogrou e vergou todos os adversários. No jogo de abertura, no Porto, colocaram em estado de choque os fervorosos adeptos da equipa da casa, ao baterem Portugal por 2-1. Nos quartos-de-final, os franceses, detentores do título, não conseguiram fazer frente à determinação da Grécia e foram derrotados. Nas meias-finais foi a vez da República Checa cair aos pés dos gregos, sendo que os checos eram, para muitos observadores, os grandes favoritos à vitória. Contudo, sem Pavel Nedved, que se tinha lesionado na primeira parte, a República Checa foi afastada por um Golo de Prata dos gregos no prolongamento.
A final de Lisboa voltou a ser um jogo muito disputado. Portugal, orientado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari, já tinha recuperado do choque do jogo de abertura e queria dar aos adeptos um clímax memorável. Mas os gregos não podiam estar de acordo. Com uma defesa implacável, comandada pelo excelente defesa-central, Traianos Dellas; um meio-campo combativo, liderado por Theodoris Zagorakis, que viria a ser o melhor jogador do torneio; e um avançado oportunista, personificado por Angelos Charisteas, a vitória pertenceu à Grécia. Bastou um cabeceamento de Charisteas para despedaçar o coração dos portugueses e dar à Grécia um triunfo com que ninguém tinha sonhado.
Quanto às equipas das grandes estrelas, tiveram um campeonato marcado pela desilusão e por queixas de cansaço após uma época desgastante. A França de Zinedine Zidane, apesar de uma espectacular recuperação frente à Inglaterra na fase de grupos, nunca conseguiu apresentar-se em grande nível. A Inglaterra de David Beckham prometeu muito, impulsionada pelo jovem avançado Wayne Rooney, mas perdeu com Portugal num dramático desempate por grandes penalidades nos quartos-de-final. A Espanha nem passou da fase de grupos, enquanto a Holanda foi eliminada por Portugal nas meias-finais. Acabou por ser uma equipa sem estrelas famosas que conquistou a Europa. O surpreendente sucesso da Grécia serviu de exemplo para todo o futebol europeu e ajudou a perceber que com trabalho duro, crer, um pouco de sorte e um indomável espírito de equipa, tudo é possível.
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